Associação dos Amigos do concelho de Marco de Canaveses

Associação dos Amigos do concelho de Marco de Canaveses Associação Cívica de Defesa dos Interesses do Concelho de Marco de Canaveses, apartidária

A Associação dos Amigos do concelho de Marco de Canaveses, como habitualmente, organizou um evento para evocar o 25 de a...
11/05/2026

A Associação dos Amigos do concelho de Marco de Canaveses, como habitualmente, organizou um evento para evocar o 25 de abril. Depois da deposição de um ramo de cravos no memorial de Salgueiro Maia, seguiu-se um almoço de confraternização.
O convidado para esta simples cerimônia foi o Capitão de Fragata, Abel Tavares, um dos participantes da "Revolução dos Cravos".

Compareçam!
12/04/2026

Compareçam!

A Direção da Associaçao dos Amigos do Concelho de Marco de Canaveses comunica que por decisão Unanime do Juri foi delibe...
23/03/2026

A Direção da Associaçao dos Amigos do Concelho de Marco de Canaveses comunica que por decisão Unanime do Juri foi deliberado não atribuir o premio literário referente ao ano 2025.
A Direção agradece os trabalhos enviados e ao Juri o trabalho desenvolvido.
Recordamos que está a decorrer o prazo para apresentação de obras referentes ao Premio de 2026.

A Crise de 25 de novembro de 1975 AntecedentesO país vivia o denominado “verão quente”, onde os radicais de extrema-esqu...
03/11/2025

A Crise de 25 de novembro de 1975
Antecedentes
O país vivia o denominado “verão quente”, onde os radicais de extrema-esquerda e extrema-direita infligiam violência e terror pela sociedade. Esta anormal situação é clarif**ada com a ação ocorrida em 25 de novembro que levaria ao fim do denominado processo revolucionário em curso (PREC).
No dia 12 de novembro de 1975, uma manifestação de dezenas de milhares de trabalhadores da construção civil que cercou o local de reunião da Assembleia Constituinte - o Palácio de São Bento - durante dois dias - reivindicações laborais dos trabalhadores desse setor; contudo, devido à rejeição do Ministério do Trabalho em atender os trabalhadores, a manifestação radicalizou-se, tornando-se numa concentração contra o VI Governo Provisório. Foram cercados por cerca de cem mil trabalhadores, incluindo o primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo. Os trabalhadores colocaram-se todos juntos nas escadas do palácio com faixas e bandeiras vermelhas e gritaram slogans.
Depois de 36 horas, todas as exigências dos trabalhadores da construção civil foram aceitadas pelo primeiro-ministro, com efeito a partir de dia 27 de novembro.
O VI Governo suspendeu funções a 20 de novembro. Pinheiro de Azevedo numa entrevista famosa, disse estar "cansado de ser sequestrado". O governo ameaçou exilar-se no Porto, respaldados por agricultores e camponeses no Norte que ameaçavam cortar o fornecimento de alimentos à "comuna vermelha de Lisboa".
Cinco dias depois, com o país e o governo suspenso, desenrolou-se a movimentação militar que iniciou o processo de estabilização de uma democracia representativa em Portugal, liderado por figuras saídas vitoriosas do 25 de Novembro como Ramalho Eanes.
Movimentação militar
O Conselho da Revolução (CR) lançou um comunicado, na madrugada do dia 25, no culminar de uma discussão extensa e acalorada, onde declarou Vasco Lourenço comandante da Região Militar de Lisboa (RML). Após o fim da reunião, Otelo Saraiva de Carvalho deslocou-se até ao Comando Operacional do Continente (COPCON), onde estavam reunidos alguns oficiais. Segundo Otelo, "sabia que estava aquela malta toda em polvorosa à minha espera, e vou lá dizer-lhes qual tinha sido a sentença final. Quando acabo de explicar que, de facto, prescindi do lugar de comandante da Região Militar de Lisboa, […] o Costa Martins, da Força Aérea, que estranhamente lá apareceu, é o primeiro a tomar a palavra para dizer alto e bom som que os paraquedistas não aceitam essa situação e que vão ocupar as bases aéreas e o Comando da Região Aérea".
Após sair do COPCON, Otelo ficou incomunicável durante as horas seguintes. Os paraquedistas da Base Escola ocuparam rapidamente a Base Aérea de Tancos, a Base Aérea de Monte Real, e a Base Aérea do Montijo, assim como o Estado-Maior da Força Aérea, almejando a neutralização dos meios aéreos e o controlo das comunicações da Força Aérea.
O Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), pouco após, montou um aparato militar nos acessos à autoestrada do Norte, ao Aeroporto da Portela e na zona de Beirolas, em Loures, que continha armazenado o depósito de material de guerra. As tropas da Escola Prática de Administração Militar (EPAM) ocuparam os estúdios da Rádio e Televisão de Portugal (RTP) e tomaram o controlo das portagens da autoestrada do Norte.
O Serviço de Deteção e Coordenação da Informação (SDCI), serviço de informação militar, entrou em estado de alerta. Por volta das sete da manhã, os paraquedistas ocuparam o comando da 1.ª Região Aérea, em Monsanto, Lisboa, e prenderam o seu comandante. Aqui, é dado o alerta à Presidência da República que "o 'golpe' está na rua". Ainda não é exequível delinear com precisão o perfil destas movimentações; as ações dos paraquedistas, RALIS e EPAM podiam pertencer a um plano amplo da esquerda revolucionária, ao qual se inseriam outras unidades, como o COPCON e a Polícia Militar (PM).
O Grupo dos Nove deslocou-se para Belém, almejando manterem-se no campo institucional, e o Presidente Costa Gomes assumiu a liderança. Sondar posições, controlar o armamento e evitar a guerra civil, que era temida, passaram a ser as prioridades. Por volta das nove da manhã, Costa Gomes convocou uma reunião extraordinária do CR, onde participaram, também, os chefes militares. Começou a ser preparada a criação de um posto de comando no Palácio de Belém, dirigido pelo Presidente, e coadjuvado por Vasco Lourenço e Rocha Vieira, chefe do Estado-Maior do posto de comando. Foi apresentado a Costa Gomes, uma hora depois, o plano de operações dos moderados, cuja aprovação ponderou, pois, implicaria novas ações e, principalmente, declarar de estado de sítio. Eram necessárias providências, primeiramente tentar negociar com os paraquedistas. Foi dada a responsabilidade a Costa Martins de conseguir a retirada dos paraquedistas das bases ocupadas, através da promessa de que a situação seria reexaminada. Contudo, por não ter respondido, e por não conhecer o seu paradeiro, Costa Gomes emitiu uma nota oficiosa onde anunciou aos paraquedistas que haverá uma resposta violenta "se se mantiver esse aventureirismo irresponsável". Em simultâneo, contactou os diferentes regimentos, usando a linha telefónica, para apurar que não existia nenhuma contestação em denegação a tal medida. Otelo continuou desaparecido, e a tentativa de localizá-lo foi malsucedida. Mais tarde, voltou a usar o telefone para contactar com alguns dirigentes da Intersindical e com Álvaro Cunhal, então Secretário-Geral do Partido Comunista Português (P*P). As medidas providenciais levaram à desmobilização popular, numa altura em que a população começava a cercar o Forte de Almada, o Regimento de Comandos (RC) da Amadora, os fuzileiros do Alfeite e o RALIS, podendo levar à distribuição de armas a civis. Há consenso entre quase todos os participantes deste acontecimento complexo sobre o papel fundamental, neste momento, realizado pelo Presidente da República. O mérito de Costa Gomes está evidente em ter conseguido manter o CR reunido durante a crise inteira, já que, f**ando em Belém, estariam impedidos de tomar partido ou de dirigir movimentações, e também tentou fazer o mesmo com os comandantes de certas unidades militares, nas quais havia incertezas sobre a posição que tomariam. Também terá sido determinante o papel desempenhado por Otelo, que chegou a Belém na altura em que muitos receavam que fosse, ou pudesse vir a ser, o líder da "sublevação".
Costa Gomes decretou convictamente o estado de sítio na RML às 16h30. Após decretar, permitiu aos moderados, com quem tivera extensas conversações, terem conhecimento do seu plano de operações. Não obstante a falta de consenso sobre a liderança, cada vez maior, de um plano e de uma coordenação de ações, por volta das 17h30, há uma tentativa de inverter a situação por parte dos sublevados. Na rádio da Polícia Militar, houve um apelo ao envio de reforços para a Emissora Nacional (EN), e logo saíram tropas da PM, com o SDCI a distribuir armas e fardamentos a civis. Varela Gomes instalou-se no COPCON almejando comandar as operações. Duran Clemente, comandando a ocupação da RTP, às 18h, solicitou numa emissão em direto pela televisão a mobilização da população junto aos quartéis da RTP e da EN.
Os moderados iniciaram a sua ofensiva no posto operacional da Amadora, liderado por Ramalho Eanes. Um pelotão blindado do RC do Porto movimentou-se até à Base Aérea de Cortegaça, onde estavam os 123 oficiais que abandonaram a base de Tancos uma semana antes. Jaime Neves, pouco após das 19h, saiu com uma força do RC da Amadora e cercou as instalações da Força Aérea em Monsanto, resultando na rendição de seus ocupantes. O domínio dos meios de comunicação passou a ser o objetivo mais importante. A Emissora Nacional, às 20h45, mudou a sua emissão para o Porto. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil convocou uma concentração junto à sede do sindicado através do Rádio Clube Português (RCP). O CR interveio, e convocou um destacamento da Escola Prática de Cavalaria de Santarém a Porto Alto, que continha os emissores de onda média, e, às 22h10, a emissão do RCP foi interrompida. As emissões da RTP passaram a ser feitas no Porto. No decorrer da noite, a situação começa a acalmar. Costa Gomes, pouco depois das 21h, dirigindo-se ao país através da rádio e da televisão, informou que "na área geograf**amente definida pelos limites da Região Militar de Lisboa passa a vigorar o estado de sítio parcial". A 1.ª Região Aérea foi retomada por Pinho Freire e a Base Aérea de Monte Real, assim como a Base Aérea da Ota, foram desocupadas, bases essas que tinham caído em poder dos paraquedistas durante a tarde. As movimentações civis em Lisboa deram-se principalmente na rua da sede do SDCI e na da PM, e começaram a ser contidas.
Na madrugada seguinte, dia 26 de novembro, perduraram movimentações militares, não obstante a frágil e incerta situação dos sublevados. O CR decidiu dissolver o COPCON e ordenou a presença de todos os seus comandantes no Palácio de Belém.
A rendição da PM deu-se de manhã, num dos episódios mais dramáticos do acontecimento. Apesar de estarem perto, existiu uma falha na comunicação entre as forças de Jaime Neves que sitiavam a PM, e o Palácio de Belém. Após várias ligações com o major Campos Andrade, Vasco Lourenço conseguiu fazer com que se apresentasse em Belém; contudo, o ataque não foi suspenso, e causou três mortos.
O Comando da PM, constituído por Campos Andrada, Cuco Rosa e Mário Tomé, foi levado a Belém, e recebeu ordem de prisão, assim como Diniz de Almeida, que chegou durante a manhã. A situação no RALIS era instável.
A posição dos moderados começou-se a cimentar, com a comprovação de várias unidades. Uma unidade da Escola Prática de Cavalaria, liderada por Salgueiro Maia, parou a 5 km de Lisboa; a unidade de Cavalaria de Estremoz progrediu sobre Setúbal; a Região Militar do Norte mandou os Regimentos de Cavalaria e de Infantaria reforços no começo da tarde para Mafra, para a Escola Prática de Infantaria; e também receberam o apoio de outras unidades na Região Militar do Centro, nomeadamente de Aveiro, Viseu e Tomar - as posições dos sublevados começaram a desmoronar.
Os acontecimentos no Forte de Almada começaram a normalizar; os fuzileiros dispersaram a população que se tinha concentrado junto à Unidade, e o comando, entretanto, foi substituído; a situação no RALIS desenvolveu-se de forma semelhante, com a saída dos populares e o regresso dos soldados ao quartel. A EPAM sucumbiu, e voltou ao comando da Região Militar de Lisboa; e na Armada procederam as reuniões de esclarecimento interno.
No dia 27, a conjuntura continuou a normalizar-se, e no fim da tarde o COPCON foi cercado e ocupado pelos comandos da Amadora, resultando em nove detenções.
A Base Aérea do Montijo foi desocupada durante a noite. Costa Gomes, entre outros, falaram na televisão com o objetivo de acalmar a população; ainda que não controlassem todas as unidades, os moderados estavam à beira da vitória.
Dia 28, já se falou de "vitória", embora não se soubesse de quem. Segundo a historiadora Maria Inácia Rezola, "[…] continua a ser um dos episódios mais polémicos e, em alguns aspetos, nebulosos do Processo Revolucionário Português".
Há um consenso na historiografia portuguesa de que as movimentações militares foram provocadas pela saída dos paraquedistas, e de que, também conforme os seus protagonistas, os acontecimentos não se baseavam apenas numa simples reivindicação corporativa. Contudo, não há consenso se houve, ou não, uma tentativa de golpe de Estado e quais foram os responsáveis. Também há falta de consenso em várias outras questões, que têm como causa a falta de resposta à questão de quem ordenou a saída dos paraquedistas: por exemplo, se foi uma tentativa de golpe de Estado ou uma ação provocada para clarif**ar a situação político-militar; quantos planos militares existiam; como explicar o comportamento de Otelo Saraiva de Carvalho e dos pertencentes ao Conselho da Revolução, o comportamento do Partido Comunista Português (P*P), e do Presidente da República incumbente - Francisco Costa Gomes.
Comemorar os 50 anos do 25 de novembro quando ainda há dias assinalamos o 51º aniversário do 25 de abril, é de difícil entendimento.
Antonio Ferreira

José Monteiro da Rocha (1734-1819)             Nasceu em 1734, em Canavezes, “uma pequena localidade perto do Marco de C...
24/08/2025

José Monteiro da Rocha (1734-1819)

Nasceu em 1734, em Canavezes, “uma pequena localidade perto do Marco de Canaveses.

Os pais eram pequenos agricultores e teriam quatro filhos.

Sobre a sua infância e juventude pouco se sabe e nunca terá manifestado vontade de se referir a esse tempo.

Terá ido em 1752 para o Brasil e no mesmo ano ingressa na Companhia de Jesus. É no famoso Colégio de Todos os Santos da Baia, uma das melhores escolas do Brasil, que Monteiro da Rocha obterá o grosso da sua sólida formação inicial.

Com a expulsão dos Jesuítas de Portugal, abandona a Companhia e seculariza-se. Foi professor publico de Gramática Latina e Retorica, chegando a ensinar os filhos do Governador do Estado. Regressa a Portugal em 1766.

Durante o tempo que viveu em Salvador da Baía produziu dois textos;

- Systema Physico Mathematico dos Cometas (1759-60)
- Método de achar a longitude geográf**a na terra e no mar (1765-66)

Depois de regressar da Bahia, em outubro de 1767, matriculou-se na Universidade de Coimbra no curso de Cânones, obtendo o grau de Bacharel 3 anos mais tarde.

Monteiro da Rocha, em outubro de 1772, é incorporado na Faculdade de Matemática como professor da cadeira de Foronomia. Foi-lhe concedido em 9 de outubro do mesmo ano, o doutoramento. Caberia a Monteiro da Rocha, na Sala dos Capelos perante o Marques do Pombal, o reitor e demais corpo académico, fazer a Lição Inaugural da Faculdade de Matemática.

Mais tarde, foi professor de Astronomia (1783-1804), bem como Director e Decano da Faculdade e Director Perpetuo do Observatório Astronómico (1795).

No governo da Universidade, “o vice-reitor Monteiro da Rocha influenciou decisivamente, de 1786 em diante, a condução da política educativa na instituição e fora da instituição, despoletando, ao mesmo tempo, conflitos e resistências na academia”.

No campo administrativo a sua ação foi variada e marcante, sendo responsável por uma série de textos de caracter legislativo que ultrapassavam em muito o estrito plano académico. Sendo de destacar o Regulamento do Real Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (1799) e o Regimento da Junta da Directoria Geral dos Estudos (1800), “uma espécie de ministério da educação, criado com a incumbência de fiscalizar a instrução publica”.

Desempenhou cargos na Academia Real das Ciências de Lisboa, da qual foi sócio fundador (1780). Em 1798 foi eleito membro da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográf**a para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográf**as, Geográf**as e Militares e, em 1799, vogal da Junta da Directoria Geral de Estudos e Escolas do Reino.

Na atividade científ**a, “não é exagerado afirmar-se que Monteiro da Rocha foi o principal eixo em torno do qual girou grande parte da dinâmica científ**a da Universidade (e até mesmo do país) particularmente no que diz respeito à matemática e astronomia, na transição do Antigo Regime para o Liberalismo”.

É uma das principais figuras da vida científ**a do país e da história da Universidade de Coimbra.

Segundo Figueiredo (2022), a sua ação foi de importância capital no processo de institucionalização da ciência moderna, que se inicia em Portugal com a Reforma Pombalina da Universidade na década de 1770.

“O papel desempenhado por Monteiro da Rocha na Reforma Pombalina foi marcado por duas fases que, embora distintas, estão estritamente ligadas. Uma diz respeito precisamente à concepção e elaboração dos estatutos dos cursos scientificos, principalmente pela estruturação do Curso Mathemático, da definição do seu plano curricular e conteúdos programáticos. A outra é respeitante aos primeiros compêndios adoptados para o ensino das ciências matemáticas (dos 10 livros adoptados, sete foram traduzidos para português, sendo Monteiro da Rocha responsável pela tradução de seis”.

Associado à redação dos novos estatutos da Universidade de Coimbra de 1772.

Os estatutos levam à instalação de novas faculdades – Matemática e Filosofia e à criação de vários “estabelecimentos externos”; hospital, jardim botânico, laboratório químico, observatório astronómico, etc.

Cientif**amente deixou obra original em Matemática e sobretudo em Astronomia, tendo sido o primeiro a conseguir um método de calculo das órbitas dos cometas.

Chegou a vice-reitor (1786-1801), diretor da Faculdade de Matemática e do Observatório Astronómico e de vice-presidente da Diretoria Geral dos Estudos (1794-1801).

A partir de 1800 são muitas as homenagens e cargos que ocupará em reconhecimento do seu trabalho e valor.

Em 1800, o Príncipe Regente D. João chama-o para o seu Conselho de Estado.

Em 1801 receberá a Comenda da Ordem de Cristo da Sé de Portalegre.

Ainda no tempo de Pombal foi nomeado para uma cadeira Magistral da Sé de Leiria (1774)

Nomeado para Principal do Real Colégio dos Nobres das Três Províncias do Norte (1799).

Nomeado para perceptor do príncipe herdeiro, futuro D. João IV, e de seus irmãos (1804)

Esta última nomeação trouxe grande reconhecimento social e explica o abandono da vida universitária, passando a residir em Lisboa.

Continua a trabalhar e a orientar a atividade do Observatório e do Cálculo das Efemérides.

Em 1813 publica as Taboas Astronómicas ordenadas a facilitar o Cálculo das Ephemerides da Universidade de Coimbra.

Em 1816 sofre uma apoplexia que o deixa algo debilitado fisicamente.

Monteiro da Rocha “teve uma vida cheia, reconhecida e longa”. Morre em 11 de dezembro de 1819 tendo sido sepultado, como era seu desejo, no Convento de S. José de Ribamar

Será aos sobrinhos que deixará em testamento grande parte dos bens. A sua “preciosa e eclética biblioteca, que reunia os grandes autores clássicos e contemporâneos das ciências matemáticas, religião, literatura e artes é deixada ao príncipe D. Pedro, futuro D. Pedro IV de Portugal e Imperador do Brasil, de quem foi tutor. Os seus manuscritos científicos deixa-os à Academia das Ciências de Lisboa, da qual foi um dos sócios fundadores”.

A Gazeta de Lisboa faz eco no obituário que publica a 7 de janeiro de 1820,

“O Doutor José Monteiro da Rocha, Mestre de SS. AA o Príncipe Real, e dos Sereníssimos Infantes, do Conselho de Sua Majestade, Comendador da Ordem de Cristo, Vice Reitor da Universidade de Coimbra, Lente de Prima Jubilado na Faculdade de Matemática, do Conselho dos Decanos, Director perpétuo do Observatório Astronómico da mesma Universidade, Primeiro Deputado da Real Junta da Directoria Geral dos Estudos , e Escolas do Reino, Sócio da Academia Real das Ciências, de Lisboa , e da Marinha, Conego Magistral da Sé de Leiria, Director dos Estudos da província de Santa Maria da Arrábida, etc. etc. faleceu na sua quinta de S. José de Ribamar, subúrbios de Lisboa, no dia 11 de dezembro de 1819, tendo nascido em Canavezes a 25 de julho 1734”.

Na sessão publica da Academia das Ciências, de 24 de junho de 1820, Menzo Trigozo, secretário da Academia, lamentava assim a sua morte:

“Faleceu também hum Sócio efectivo da Academia, que o fora desde o seu princípio, e que muito concorreu para o estabelecimento e progressos desta Sociedade, quero dizer o Sr. José Monteiro da Rocha, sábio cuja perda as Ciências Matemáticas terão longo tempo que lamentar, a quem principalmente foi devido o esplendor delas na Universidade de Coimbra, e cujo nome era pronunciado com respeito, não só no nosso País, mas também nos Estrangeiros” (Memorias da Academiadas Ciências, 1821)

“Se outrora fora apregoado, e reconhecido em toda a nação como um sábio do mais conspícuo merecimento, de costume singelos, e irrepreensíveis, é hoje quase um ilustre desconhecido”.

Este desconhecimento ser extensivo à terra que o viu nascer diz muito de nós!

AF


PS. Em 25 de novembro de 2017, a AACMC promoveu uma conferencia” José Monteiro da Rocha Da reforma Pombalina da Universidade de Coimbra à astronomia”.

De 31 de maio a 1 de junho de 2019, em colaboração com a AACMC, decorreu no Auditório Municipal Professora Emília Monteiro, o 32.º Encontro do Seminário Nacional de História da Matemática, assinalando os 200 anos da sua morte.

O anfiteatro da EB 23 Cármen Miranda tem o nome de José Monteiro da Rocha.

Ao longo dos últimos anos e com a uma pontualidade de fazer inveja ao melhor relógio suíço o guião repete-se. Os apelos ...
20/08/2025

Ao longo dos últimos anos e com a uma pontualidade de fazer inveja ao melhor relógio suíço o guião repete-se. Os apelos para que, coercivamente, os proprietários limpem as terras que foram “obrigados” a abandonar. As políticas agrícolas e outras que ao longo de anos foram implementadas, explicam parte do envelhecimento e despovoamento do interior e, consequentemente, do abandono dos terrenos e do sector primário. Para combater esta situação são anunciadas coimas pela não observância da norma legal, por quem – o Estado, não é modelo a seguir.

Anunciam-se concursos para fornecimento de meios para reagir aos “previsíveis” incêndios. A limpeza de terrenos deve f**ar concluída até ao final de maio, isto é, quase no final da primavera.

No final, como é usual, publica-se o “ranking dos incêndios”, contabilizando comparativamente os hectares de floresta queimada, os danos matérias causados e as vítimas humanas registadas.

As mesmas declarações políticas de sempre, o anúncio apressado da implementação de medidas preventivas e o “cortejo” dos mesmos políticos pelas regiões afetadas e as usuais manifestações de pesar nos órgãos oficiais pela perda de vidas humanas. Perante os factos consumados, anunciam-se apoios monetários para ressarcir parcialmente os lesados pelos danos sofridos com a garantia que “pequenos valores” serão pagos sem papéis.

Ora, um incêndio não se pode reduzir a hectares ardidos, danos materiais e contabilização das vítimas humanas.

O incêndio também afeta signif**ativamente a fauna e a flora, causando perda de biodiversidade, destruição de habitats e alteração de ecossistemas, danos ausentes e aparentemente ignorados.

Do recente relatório apresentado em Bruxelas - “Incêndios florestais em mutação - Opções de política para uma Europa alfabetizada e adaptada ao fogo”, os especialistas alertam um “aumento da mortalidade" em Portugal associada aos incêndios florestais e para os impactos crónicos na saúde, parâmetro que não tem merecido a devida atenção.

Porque os efeitos só irão manifestar-se mais tarde, não são equacionadas as consequências psicológicas dos fogos rurais, que são "cada vez mais reconhecidas", frisando que "a perturbação de stress pós-traumático, a depressão e a ansiedade foram documentadas em populações adultas e pediátricas…”.

A causa dos incêndios, é atribuída, maioritariamente, aos donos dos terrenos quase ignorando que estes são os principais lesados.

Se as mesmas políticas seguidas ao longo dos anos tem concorrido para a verif**ação das mesmas consequências, urge que o guião seguido seja alterado. Porque a política reativa ao evento não tem produzido os efeitos desejados, deveríamos:
- Apostar na educação ambiental como caminho a ser seguido. A floresta é de todos para benefício e fruição comum, independentemente de quem detém a sua posse;

- Incentivar a limpeza dos terrenos até ao final de fevereiro, antes da explosão das flores e do aparecimento de novas cores nos campos, pelo corte de vegetação e não pelas queimadas ainda usuais;

- Se depois da “terra queimada” são disponibilizados “pequenos valores” que serão pagos sem papéis, porque não alterar esta prática, disponibilizando “pequenos valores” aqueles que demonstrarem “à priori” ter procedido à limpeza da floresta, verba que poderia ser retirada do “bolo” alocado para os grandes concursos para combater os incêndios.

Agir proativamente e premiar quem cumpre, o contrário do que se tem sido prática, talvez altere o resultado final que nos deve mobilizar para alcançar o objetivo comum – a diminuição dos incêndios.

Carta Aberta ao Diretor do jornal A Verdade                Em resposta ao artigo publicado no Jornal A Verdade, Edição 1...
18/08/2025

Carta Aberta ao Diretor do jornal A Verdade

Em resposta ao artigo publicado no Jornal A Verdade, Edição 1060 de 07 a 27/08/2025, “Marco de Canaveses celebrou os 200 anos do nascimento do fundador do Adriano José de Carvalho e Melo”.

Da leitura atenta do Vosso trabalho sobre o evento, publicado na edição em papel, sobre o título em epigrafe permita os seguintes comentários.

Como resulta do texto publicado e corresponde à verdade, o evento foi organizado pela Camara Municipal do Marco de Canaveses em colaboração com a Associação dos Amigos do Concelho de Marco de Canaveses (AACMC).

No evento registaram-se, unicamente, duas intervenções institucionais: uma intervenção em nome da AACMC proferida pelo seu Presidente António Ferreira e a intervenção da Srª Presidente da Câmara, Drª Cristina Vieira.

Sobre o tratamento dado à intervenção da Srª Presidente, Drª Cristina Vieira, naturalmente, não nos pronunciamos.

Sobre o tratamento dado à intervenção do Presidente da AACMC, (disponível abaixo), registamos, que apesar de extensa, de abordar um vasto conjunto de temas, sem deixar de homenagear o fundador do concelho, e conter algumas propostas, a mesma não obteve qualquer referência no trabalho jornalístico apresentado.

Comentar, transcrever ou salientar o todo ou parte de uma comunicação publica em cerimónia publica cabe, salvo melhor e esclarecida opinião, no critério da redação editorial. Diferente é apagar no mesmo trabalho a sua existência.

Sendo certo que ao dar uma única perspectiva pode privar o leitor de conhecer uma visão diversa sobre o mesmo acontecimento.
Cita-se da intervenção proferida;
“… A Educação age “apagando estrategicamente narrativas históricas e acontecimentos atuais que incluam múltiplas perspectivas”. Não se limita a apagar a história, também a representa erroneamente” e

“… Sem uma imprensa fiável, a “inundação” da desinformação nas redes sociais sobre acontecimentos locais depara com uma população que não pode verif**ar facilmente a sua autenticidade.”.

Relativamente à menção ao Prémio de Criação Literária Adriano José de Carvalho e Melo, evento promovido pela AACMC, cuja divulgação agradecemos, o vencedor da edição de 2019 foi efetivamente o livro “Cartazes com Sorrisos” do escritor Paulo Sousa. A apresentação da citada obra foi notícia no jornal A Verdade de 21 de julho 2022, sob o título: “Apresentação de Cartazes Com Sorrisos de Paulo Sousa é sonho tornado realidade”.
Registamos que também aqui foi “apagado” o promotor da iniciativa.

A AACMC agradece a atenção e consideração dispensada.

Reiteramos a nossa disponibilidade para esclarecimentos adicionais.

Marco de Canaveses, 13 de agosto de 2025

A Direção

Prémio de Criação Literária Adriano José de Carvalho e Melo            O objetivo é criar condições para o aparecimento ...
08/08/2025

Prémio de Criação Literária Adriano José de Carvalho e Melo

O objetivo é criar condições para o aparecimento de novos valores, incentivar a produção literária, estimular o gosto pela escrita e homenagear o fundador do Concelho.

Este prémio destina-se a galardoar, anualmente, uma obra de ficção em prosa ou poesia, apresentados a concurso.

Podem concorrer os/as cidadãos/ãs naturais e/ou residentes do concelho de Marco de Canaveses.

O concurso será nas modalidades de ficção em prosa ou poesia, o vencedor/a será anunciado no dia 31 de março.
O Prémio Literário consiste na publicação da obra vencedora e cumulativamente na atribuição de um prémio monetário.
Os trabalhos devem ser enviados para a:
Associação dos Amigos do Concelho de Marco de Canaveses
Av. Gago Coutinho, 169
4630-206 MARCO DE CANAVESES,
até ao dia 8 de setembro.
Apenas será divulgado o nome/pseudónimo do vencedor/a.

Dê-nos o prazer de conhecer o que e como escreve!

Em nome da Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, agradeço o convite para participar neste evento. Rec...
06/08/2025

Em nome da Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, agradeço o convite para participar neste evento. Reconheço não ser a pessoa mais habilitada para se pronunciar sobre o homenageado.
Apesar das minhas signif**ativas limitações recolhi alguma informação que irei partilhar com tão ilustre plateia.
Vivemos um tempo em que regimes não democráticos consideram que a história é ameaçadora, motivo suficiente para arranjarem pretextos e maneiras de a apagar ou ocultar de forma a se perpetuarem no poder.
A história não é estática nem é mítica, é dinâmica e critica.
Os regimes autoritários apoiam-se nas emoções poderosas de medo e injustiça que estão relacionadas: o grupo dominante receia ser substituído e sente-se injustiçado pela perda de estatuto e poder. O igualitarismo é uma ameaça porque promete dissolver essa hierarquia.
As representações podem levar a que “práticas inaceitáveis, pareçam normais e justif**adas, enquanto as práticas se podem tornar adequadas, retrospectivamente, às representações”. A representação de imigrantes como perigosos criminosos justif**a o seu encarceramento; uma vez lá, o facto de estarem presos leva alguns a concluir que devem ser perigosos.
Nos últimos anos temos assistido a uma vaga de interferência política na educação, com interdição de determinados conceitos, autores e livros das bibliotecas e conteúdos de programas escolares.
A Educação age “apagando estrategicamente narrativas históricas e acontecimentos atuais que incluam múltiplas perspectivas”. Não se limita a apagar a história, também a representa erroneamente.
A invasão de Gaza em 2023 por Israel foi uma resposta a um horrendo ataque terrorista do Hamas. Com o argumento de que o Hamas estava a usar esses locais, foram bombardeadas universidades, escolas, museus, hospitais, campos de refugiados e assédio e ataques a docentes e estudantes que apoiem a causa palestiniana. Estas ações potenciam o risco de apagar o passado de Gaza. Com o seu passado apagado é como se os palestinianos nunca ali tivessem vivido.
A propaganda faz sentido se se desumanizar os anteriores ocupantes da terra ou se se apagar simplesmente a sua presença.
Vivemos na designada pelo Papa Francisco era da "globalização da indiferença" quando se referia à imigração, criticando o facto de a globalização levar a uma apatia em relação ao sofrimento dos migrantes e refugiados. Esta indiferença manifesta-se na recusa de ajudar aqueles que fogem da guerra, da pobreza e da perseguição, assim como na falta de compaixão diante das tragédias no Mediterrâneo.
Sem uma imprensa fiável, a “inundação” da desinformação nas redes sociais sobre acontecimentos locais depara com uma população que não pode verif**ar facilmente a sua autenticidade.
Além de mentir, quem detém o poder pode proibir conceitos necessários para compreender o mundo que habitamos. Pode proibir conceitos como os direitos humanos ou a igualdade da humanidade. Pode “proibir a investigação sobre as alterações climáticas como causa humana”.
A ignorância impede uma ação livre e informada.
Serve este pequeno introito para assinalar a oportunidade e aplaudir a iniciativa de homenagear uma figura ímpar na nossa história.

Este território, outrora fornecedor de recursos humanos para outros países é hoje eleito como destino de imigrantes que escolhem o Marco de Canaveses para reconstruir as suas vidas, situação pouco plausível no passado recente. Os sinais são evidentes. Saibamos, pois, acolher e integrar aqueles que nos procuram. A multiculturalidade é uma mais valia.

Este território que habitamos e partilhamos é servido por vias de comunicação rodoviária, ferroviária e fluvial. Ocupa uma centralidade na região em que se insere que nenhum outro município pode colocar em causa. Dista das cidades do Porto, Vila Real e Braga menos de uma hora de viagem em automóvel. É servido por uma Auto Estrada que nos liga ao litoral e à Europa e por uma linha férrea que, estou certo todos desejamos, nos voltará a ligar à Europa. O aeroporto dista apenas 50 minutos.

Ousemos retirar os dividendos inerentes a esta privilegiada posição geográf**a.

Foi por estas terras que terá passado D. Afonso Henriques e D. Mafalda, mas onde os franceses foram derrotados na sua tentativa de passar a Ponte de Canaveses.

Foi no Marco de Canaveses (1734) que nasceu José Monteiro da Rocha, matemático, redator dos estatutos da Universidade de Coimbra onde chegou a ser vice-reitor, entre outras signif**ativas atividades.

Foi aqui (1909) que deu os primeiros passos Maria do Carmo Miranda da Cunha que viria a conquistar a Broadway e ficou celebrizada como a “pequena notável”.

Foi aqui (1930) que nasceu Carlos Manuel de Azeredo Pinto Melo e Leme, que entre outras funções desempenhadas destaco a de Comandante da Região Militar do Norte e Chefe da Casa Militar do Presidente da República.

Foi aqui que nasceu (1952) Antonio José da Rocha Couto, atual Bispo de Lamego.

Foi daqui (1961) que partiu Alcino Silva, neurocientista com vasta obra desenvolvida nos EUA e reconhecida internacionalmente.

Foi aqui que nasceu (1991) José Emanuel Coelho Vieira, professor na Universidade de Pádua e detentor de um extenso e signif**ativo currículo.

A lista de personalidades que se distinguiram é naturalmente mais vasta. Saibamos retirar benefício do exemplo de vida e da obra que construíram e que o seu trabalho e dedicação sejam usados como referência e modelo para as próximas gerações.
Todos se distinguiram e distinguem em diversas áreas do saber em comum partilham o concelho de nascimento - Marco de Canaveses.

Marco de Canaveses é uma obra em construção, idealizada e concretizada, pela personalidade que hoje evocamos.

Adriano José de Carvalho e Melo, era oriundo de uma ilustre família marcoense, nasceu a 3 de agosto de 1825, na casa da Picota, na atual freguesia do Marco. Desta família destaca-se não só o homenageado como os seus irmãos;
- Duarte Gustavo Nogueira Soares, arguto diplomata, diretor-Geral dos Negócios Públicos e Diplomáticos, Secretário-Geral do Ministério dos Estrangeiros e possuidor de diversas condecorações nacionais e estrangeiras. É ainda autor do livro “Partidos Políticos em Portugal” e
-Afonso Joaquim Nogueira Soares, engenheiro que dirigiu as obras da Barra do Douro e posteriormente as do Porto e Leixões. Do seu currículo destaca-se a participação na revolução conhecida por Maria da Fonte contra o Conde de Tomar que terminou em junho de 1947 com a chamada convenção do Gramido. Em 1851, participa no movimento conhecido como da Regeneração, sob as ordens do Duque de Saldanha.

Voltando ao homenageado, o Adriano da Picota como também era conhecido, cedo inicia a sua atividade pública. Aos 18 anos era Subchefe da Alfandega de Vila Nova de Cerveira e posteriormente foi nomeado Comissário das Contribuições no Porto.
Por alvará do Governador Civil do Porto, de 5 julho de 1847, foi nomeado Administrador do Concelho de Soalhães, à data com 21 anos de idade.
Uma vez nomeado para o cargo, não obstante a sua juventude, envolveu-se na criação do concelho do Marco de Canaveses. Junto do governo argumenta que a junção dos concelhos de Bem Viver e de Soalhães resultaria “em proveito do serviço público e comodidade dos povos” posição que obtém mérito junto do governo que por despacho de 31 de março de 1852, assinado pela Rainha D. Maria II cria o concelho de Marco de Canaveses que anexa os concelhos de Benviver, Canaveses, Soalhães, Portocarreiro, parte dos de Gouveia e Santa Cruz de Riba Tâmega.
Segundo Nunes da Ponte havia tal conveniência de reunir os dois concelhos e era tão grande o prestígio pessoal e político de Carvalho e Melo que, quatro meses após a assinatura do Decreto de 31 de março de 1852, isto é, em 27 de julho de 1852, é recebido na sala das sessões da Câmara Municipal de Soalhães, sita no lugar do Marco, um ofício do Governo Civil do Porto, a dar conhecimento da criação do novo concelho. O mesmo Decreto só viria a ser publicado no “Diário do Governo”, de 27 de dezembro do mesmo ano.

José Adriano de Carvalho e Melo f**a para a história como o fundador do concelho.

Na sequência dos decretos de criação dos corpos de Polícia Civil de Lisboa e Porto, Adriano José de Carvalho e Melo foi o nome proposto pelo então governador civil do Porto, para ocupar o lugar de Comissário-Geral do corpo de polícia civil daquela cidade, cargo que acabaria por aceitar e assumir a 29 de agosto de 1867.

Como Comissário-Geral da Polícia Civil do Porto, notabilizou-se na direção das operações que conduziram à detenção do salteador “Zé do Telhado”, um dos mais célebres criminosos do século XIX, quando este procurava fugir clandestinamente para o Brasil a bordo de um barco.

Em 1873 foi nomeado Governador Civil do Distrito de Bragança, cargo que ocupou até 10 de janeiro de 1877.

Em 1877, conjuntamente com “outros homens bons do Marco” fundou a Irmandade de Nossa Senhora da Natividade do Castelinho.

Foi eleito deputado aquando das eleições gerais de 1878, pelo círculo uninominal do Marco de Canaveses, assumiu esse mandato após prestar juramento na Câmara dos Deputados, na sessão legislativa de 23 de janeiro de 1879.

Depois de se ter reformado do lugar de Diretor da Alfandega regressou à sua Casa da Picota, para se dedicar à agricultura e também ao estudo das matérias agrícolas, publicando duas obras a propósito da crise agrícola:
- Cartas ao visconde de Moser (Porto: Tipografia Cruz Coutinho, 1889) e
- Resumo prático do tratamento simultâneo do oídio e do míldio (Porto: Tipografia Pereira e Cunha, 1894).

Faleceu na sua casa da Picota a 9 de outubro 1894, com sessenta e nove anos de idade.
Detentor de várias condecorações como a Ordem Militar de Cristo e a Ordem da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, entre outras.

Como jornalista fundou e dirigiu o jornal local A Verdade e integrou o núcleo redatorial do Jornal do Porto, periódico onde redigiu um conjunto de artigos que foram depois publicados em livro sob o título A Dictadura e a reforma administrativa (Porto: Livraria Cruz Coutinho, 2.ª edição, 1887).

Foi um visionário quando sonhou e propôs a reorganização administrativa do concelho. Ao agregar concelhos vizinhos deu escala ao território. Não podemos ignorar que hoje a capacidade reivindicativa das populações é diretamente proporcional ao número de eleitores.

Pela pegada deixada somos de opinião que este distinto marcoense é digno de uma biografia, onde de forma informada fique suportado documentalmente a sua vida e obra nos diversos desafios que abraçou.

A Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses tem ao longo dos últimos anos vindo a promover eventos onde personalidades com ligações ao Marco são divulgados. De entre esses eventos destaco o Premio de Criação Literária Adriano José de Carvalho e Melo. Este prémio destina-se a galardoar, anualmente, uma obra de ficção, em prosa ou poesia, apresentados a concurso. Os trabalhos podem ser entregues até 8 de setembro e o nome do vencedor ou vencedora será divulgado em 31 de março.

O Marco de Canaveses é mais que um nome, é uma marca que vai além dos limites do concelho. Conhecer e divulgar a sua história, os seus usos e costumes, as suas gentes, a sua gastronomia, o seu edif**ado, o seu diversif**ado território, deve ser um desígnio de todos. Divulgar a nossa história coletiva deve mobilizar-nos.

Termino citando Borges de Araújo que escreveu um mês após a morte de Adriano José de Carvalho e Melo “… a sua falta foi geralmente sentida pelos seus numerosos amigos, que viam no ilustre extinto o protótipo da honra, o amigo certo e inviolável, um estudioso profundo e consciencioso, um homem de conselho, um protetor como poucos, um verdadeiro amparo dos deserdados e indigentes. Não soube senão praticar o bem, ser útil em tudo e a todos”.

Cumpre-nos honrar a sua memória enriquecendo o seu legado.
O Presidente da AACMC - António Moreira Ferreira

Endereço

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Marco De Canaveses
4630-219MARCODECANAVESES

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