23/01/2026
Nota da Comissão de Trabalhadores da CP
É urgente travar a subconcessão das linhas mais rentáveis da CP e a destruição da empresa!
A Comissão de Trabalhadores da CP manifesta a sua mais profunda preocupação face ao anúncio feito pelo Governo relativo ao futuro da CP, em particular a intenção de avançar com a subconcessão das linhas suburbanas mais rentáveis do transporte ferroviário nacional — Sintra/Azambuja, Cascais, Sado e Porto. Esta opção constitui mais um passo no processo de privatização do transporte ferroviário e representa um ataque direto à CP enquanto empresa pública estratégica e estruturante do País.
O Governo procura justificar esta decisão recorrendo à demagogia, à desinformação e à propaganda, ocultando as consequências reais que a subconcessão destas linhas teria. A retirada à CP dos serviços suburbanos mais solventes comprometeria gravemente o equilíbrio económico da empresa, colocando em causa a sua operação a nível nacional e a própria sobrevivência da CP enquanto operador ferroviário público integrado.
É particularmente revelador que este anúncio surja num momento em que, após décadas sem investimento em material circulante, foi finalmente garantida a compra de novos comboios — conforme anunciado pelo próprio Governo. O que está em preparação é, na prática, a entrega de material circulante adquirido com investimento público a operadores privados, incluindo automotoras associadas à futura Alta Velocidade, à semelhança do que já acontece com a Fertagus, que opera numa infraestrutura pública com comboios cedidos pela CP. Assim, o investimento é público, mas os lucros são apropriados por grupos económicos privados e multinacionais, à custa da mobilidade das populações e dos recursos do Estado.
A Comissão de Trabalhadores da CP considera que a privatização, fragmentação e liberalização da ferrovia constituem um caminho perigoso e contrário ao interesse nacional. Este modelo serve exclusivamente os interesses e o lucro dos privados, colocando em risco postos de trabalho, a segurança, a fiabilidade do sistema ferroviário e desperdiçando recursos públicos que têm sido sistematicamente negados à CP. Em vez de novas privatizações, concessões ou sub-concessões, o Governo deve assumir as suas responsabilidades e inverter a sua política ferroviária.
O Governo deve assumir atrasos na concretização da compra de material circulante, e reforçar a capacidade de manutenção e produção, de modo a aumentar a oferta. Deve assumir o projeto da Linha de Alta Velocidade, como uma prioridade do transporte ferroviário e substituir a opção, modelo de PPP por investimento público direto. Deve dotar a CP do investimento necessário para responder às necessidades como há muito exigem os trabalhadores e as populações.
Face à gravidade das decisões anunciadas, a Comissão de Trabalhadores da CP apela à mobilização e à luta dos trabalhadores ferroviários em defesa da CP, do serviço público ferroviário e do direito das populações à mobilidade. A CT tudo fará para exigir esclarecimentos, denunciar este processo e contribuir para travar uma opção que ameaça o futuro da empresa e do transporte ferroviário em Portugal.