21/03/2026
Quase 4 anos após o ato público, em 02/07/2022, em defesa do patrimônio histórico do bairro, da memória e da preservação dos achados arqueologicos, e muita pressão social pela participação da comunidade, foi concluída a primeira fase da pesquisa arqueológica prevista na legislação que regula o patrimônio histórico no Brasil.
Na escavação do Sítio Arqueológico Saracura Vai-Vai foram resgatadas cerca de 110.000 objetos arqueológicos nas áreas onde agora serão perfurados os buracos profundos para a instalação da estrutura da futura estação Saracura-14 Bis (para nós, Saracura Vai-Vai).
Considerando a área total da obra, ainda restam as atividades de monitoramento por parte da empresa A Lasca, sob a supervisão do IPHAN, no sentido de se resgatar outros possíveis elementos no importante e singular sítio arqueológico do Quilombo do Saracura.
Durante estes quatro anos de lutas intensas em defesa do patrimônio nacional, muitas escolas públicas e privadas da Educação Básica, CIEJAS, universidades e o Instituto Federal de Educação, pesquisadores da FAPESP, equipamentos de Cultura (como Sescs, Masp, DPH/PMSP, entre outros) realizaram caminhadas pelo bairro em direção ao sítio nas obras da futura estação.
Realizamos uma exposição no Memorial da Paróquia de Achiropita e estamos com outra em curso no CPC-USP/Casa Dona Yayá (visitem!). Também conseguimos três audiências públicas (duas na Câmara Municipal e uma da Assembleia Legislativa no bairro), e realizamos inúmeras palestras.
Mestres, doutores e especialistas vieram em solidariedade e gratuitamente contribuíram com os olhares da ciência e da metodologia científica, objetivando o simples cumprimento da legislação sob a responsabilidade fiscalizatória do IPHAN.
Sim, enquanto movimento social voluntário "Mobiliza Saracura Vai-Vai", estamos de certa forma satisfeitos pelas ações até está primeira fase e animados para seguir acompanhando o monitoramento da área total da estação e demais ações em curso para a Musealização dos Achados Arqueológicos, que além de gerar empregos no bairro reforça a luta pelo direito de permanência da população negra neste território e pelo retorno da Escola de Samba Vai-Vai para o Bixiga, de onde nunca devia ter saído.
Os achados arqueológicos e um futuro espaço de musealização no bairro constituem um bem público que estará a disposição dos estudantes e universidades para pesquisas, assim como para que os moradores do Bixiga e de outros bairros visitem e se orgulhem da nossa história coletiva enquanto povo brasileiro.
Assim como o Cais do Valongo, no RJ, e o Cemitério dos Africanos, na BA, e tantos outros exemplos pelo país, a preservação dos achados do Sitio Arqueológico Saracura Vai Vai é um passo importante na reparação histórica devida ao povo negro. Sua devida escavação, preservação e patrimonialização, constitui ação imprescindível na luta por um Brasil inclusivo e antirracista.
Seguimos na luta, junto com a comunidade!