25/07/2021
Motoristas enfrentam a pandemia com muito trabalho
http://www.jornalmantiqueira.com.br/2021/07/23/motoristas-enfrentam-a-pandemia-com-muito-trabalho/
Delma Maiochi
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Poços de Caldas, MG – Há um ano e meio, o mundo praticamente parou para enfrentar a maior pandemia deste século. O novo coronavírus não poupou nenhum setor da sociedade, mas algumas profissões não puderam parar, nem fazer home office ou isolamento social. Entre elas, o Mantiqueira destaca hoje os motoristas. Em meio à crise da covid-19, profissionais da direção ligados aos serviços essenciais, incluindo motoristas da área de saúde, caminhoneiros que transportam combustível, alimentos e materiais hospitalares e de construção, continuaram a trabalhar. Sem esquecer os responsáveis pela mobilidade urbana e pelo transporte de milhares de vidas diariamente em ônibus, vans, metrôs e aplicativos, motoentregadores e mototaxistas.
Riscos nas estradas
Motorista de caminhão há 20 anos, João Carlos Aguiar, 47 anos, diz que não pode parar de trabalhar e a pandemia deixou a profissão ainda mais arriscada. “No começo da pandemia, além do medo deste vírus desconhecido, enfrentamos problemas nas estradas, como fechamento de restaurantes, de borracharias, locais para descanso. No meu caso, saía de São Paulo e vinha direto até Poços, sem poder parar. Imagino que meus colegas de profissão que fazem distâncias mais longas devem ter tido ainda mais desconfortos”, conta ele.
Aguiar ainda lembra que o transporte das cargas não é só o trajeto, é preciso também descarregar, armazenar, conferir. E ele fazia tudo isso, e ainda faz, tendo que prestar atenção nas medidas sanitárias. “Tudo passou a ter cuidado redobrado, como o uso de máscara, o álcool em gel, manter distanciamento das pessoas, prestar atenção em locais e superfícies. Foi muito difícil. Hoje já estamos mais informados sobre o vírus, mas até pouco tempo atrás a tensão era muita com a possibilidade de ficar infectado. Vamos continuando a trabalhar, diz o ditado que o Brasil não pode parar. Espero que as condições gerais da profissão melhorem”, finaliza.
Mudança na rotina
Benedito Bazar Cassiano, 72 anos, proprietário da Mudanças TransBazar, conta que desde o início da pandemia, medidas de segurança sanitária foram implantadas na empresa. Álcool em gel e máscara de proteção facial se tornaram obrigatórios entre os colaboradores, além dos EPIs já utilizados durante as mudanças.
O empresário, com mais de 53 anos de habilitação, conta que não houve tanta dificuldade em exercer os serviços da empresa durante a pandemia. “Nossa maior dificuldade é que por fazermos carregamento e descarregamento, utilizamos esforço físico, o que com a utilização das máscaras contra a covid-19, dificulta um pouco a respiração, mas nada que atrapalha, pois agora já se trata de equipamento para nossa segurança e de nossas famílias”, comenta Bazar.
“O Governo Federal nos classificou como atividade essencial, possibilitando que nossos serviços não sofressem paralisação durante o lockdown de alguns Estados, mas chegamos a cancelar alguns transportes em que clientes nossos nos informaram que testaram positivo para o novo coronavírus”, pontua ele.
Bazar conta que viu de perto grandes capitais vazias e que alguns trajetos pelas estradas, durante o fechamento de barreiras de várias cidades, foram feitos com até horas a menos de viagem.
Dia do motorista
O Dia do Motorista é comemorado em 25 de julho, mesma data em que os católicos celebram o dia de São Cristóvão, que é padroeiro de todos os profissionais do transporte.
Conta a história que trabalhou durante muito tempo transportando pessoas nas costas para que pudessem atravessar um rio. Certa vez, colocou um menino nas costas e a cada passo que dava o seu peso ia aumentando. Cristóvão disse: “Parece que estou carregando o mundo nas costas”. Então o menino respondeu: “Tiveste às costas mais que o mundo inteiro. Transportaste o Criador de todas as coisas. Sou Jesus, aquele a quem serves”. Seu nome passou a ser Cristóvão, a partir de então, que significa “aquele que carrega Cristo”. Assim, ficou conhecido como o protetor e padroeiro dos viajantes e motoristas.