09/29/2024
Ontem, minha neta, estudante do ensino médio, nos disse que uns colegas estavam discutindo política - em especial sobre as novas eleições - e que alguns deles se dirigiram a ela e informaram que iriam votar pela primeira vez, ou não estavam habilitados a votar, mas que seus pais votariam em seu avô: Martinho Leite.
O orgulho e a emoção me tomaram.
Não só porque meu marido havia sido mencionado como merecedor de representar seu povo, nesta cidade, como vereador, mas porque jovens (jovens!) estavam discutindo política e verificando antecedentes, atitudes, ações, moral e honra dos que devem se tornar representantes do povo.
No meu tempo de adolescente, sabia sequer quem seria candidato à presidência da República - ou quem teria sido eleito.
Éramos, com um orgulho distorcido, aqueles que se diziam com jactância - "somos da turma que não tem opinião formada".
Quanto erro cometemos! A nossa omissão, a forma como encaramos as forças que seriam escolhidas para governar o nosso país - com profunda e determinante indiferença - levaram nosso Brasil e nossas vidas a se tornarem o que são.
Porque um povo que encara a política com menosprezo, que entende que não é de sua competência ou de seu dever se envolver nos rumos políticos da nação, leva o seu país ao estado em que estamos agora - nas mãos de políticos corruptos, de ladrões que lesam nossas divisas, e que se arvoram o direito de controlar as nossas vidas e nos fazer escravos, e para isso fazem leis e determinam regras que ofendem a nossa moral, cerceiam a nossa liberdade, ameaçam nossos valores , tiram nossos direitos, e, no final, controlam até nossas forças armadas.
E, o pior de tudo, fomos nós quem os conduzimos ao poder.
Nós lhes entregamos nosso país e nossos destinos.
Somos nós quem os elegemos, porque, nas épocas das eleições, eles se mostram amigáveis, ou amigos de um amigo, ou alguém que nos deu um sorriso, um dia, ou nos tratou bem, ou foi indicado por um cabo eleitoral de nossa região, (uma pessoa que nunca vimos ou ouvimos falar de), ou nos ofereceu um vidro de remédio, uma operação, uma consulta médica, ou $10,00, ou um s**o de cimento.
Elegemos pessoas que jamais lutará pela nossa causa, ou se tornará o que devia ser: nosso representante.
Para lutar por nossos direitos ou em nossa defesa.
Poucos se tornam políticos com essa intenção.
E foi principalmente para abrir os olhos de todos que Martinho Leite, após enfrentar um câncer, e se vendo já com 80 anos, decidiu: em qualquer idade, jamais podemos deixar de lutar em benefício do Brasil.
E para se tornar um exemplo de que cada um, qualquer um, pode e deve se envolver com política, e lutar para levar o nosso país ao rumo certo, ele se candidatou a vereador.
Então, o que aconteceu com aquela turma de jovens nos deixou em êxtase.
Começou.
Se os jovens, e os pais dos jovens, e os futuros filhos destes jovens, entenderem que a força está no povo, que é o povo quem se faz vereador, prefeito, deputado, senador, presidente - e que cada um deles, escolhido para exercer esses cargos, deve ser eleito por ser digno de se tornar um representante do povo e um legislador, fiscalizador, administrador capaz de agir em benefício e com o aval do povo, teremos um país melhor, e teremos salvo o que nos é mais caro: nossas famílias, nosso direito de amar a Deus, nossos valores, nossa honra, nossa liberdade, nossas propriedades.
Martinho Leite, quanto orgulho!
Você, realmente, teve êxito.
Se não for eleito, e daí?
Você já teve a sua vitória.