29/05/2026
Estas manhãs são do tempo em que as preocupações passavam por garantir que não havia uma frequência esquecida e que tomava café antes da aula do Lamela. Para além do mais, se só haviam aulas à tarde, quem me trazia à paragem começava logo o dia de manhã. Restavam-me duas opções logo ao início da semana: ou acordava ainda mais cedo para ter boleia até casa ou então apanhava o simpático 39 do freixieiro…mas mais 5 minutos a descansar muniam-me da força necessária para aguentar qualquer figura digna do senhor dos anéis que aparecesse no 39.
A segunda-feira desta história encontra um cenário chuvoso, meados de novembro com muito frio e o céu estava com o humor de quem também tinha tido boleia só até à paragem. Eu estava a observar a minha pressa de ir tomar o pequeno-almoço quando vejo um senhor saído do filme do senhor dos anéis.
Ele não era bem apessoado, tinha o aspeto de quem não cheirava bem e também acho que ele grunhia enquanto caminhava. Para além disso, vestia-se de preto, enlutado por ele mesmo certamente e estou ainda incerta se ele tinha os dentes todos sendo que aparentava mastigar qualquer coisa. A imagem que vos quero transmitir é que aquele senhor não acrescentava nada à minha manhã chuvosa, sem pequeno-almoço à espera do 39. Aliás, ele parecia ser a alma mais perdida, desamparada e julgada (exatamente como eu estava a fazer naquele momento).
Até que: um espírito luminoso, vestido de branco e de cabeça erguida caminhava atrás dele. Caminhava como fosse um amigo que ia com ele a algum lado e nós sabemos que somos parte daquilo que anda connosco.
Este espírito não olhou para mim mas fez questão de mostrar que a carne não presta. O nosso aspeto físico, o que possuímos, o nosso trabalho vale zero no plano astral. Quem nos vê “lá de cima”, vê por dentro e a carne aqui não tem força.
Naquele dia, o plano espiritual fez questão de me mostrar o meu julgamento reforçando a ideia de que somos muito pouco do que vestimos ou como nos apresentamos e isso fez-me crescer pela chapada que levei às 9h da manhã, sem pequeno-almoço e ainda à espera do 39.