09/06/2013
Portos Secos impulsionam a atividade econômica do Espírito Santo
Contêineres, equipamentos, veículos que chegam de diversas partes do mundo. Movimentação monitorada pela Receita Federal e pela Alfândega. Uma operação típica de um porto, só que bem longe do mar. Os portos secos, que no passado eram chamados de estações aduaneiras do interior, foram a solução encontrada pelo Governo Federal para desafogar os portos brasileiros. Quem não se lembra dos pátios lotados de veículos importados, ao longo da Rodovia do Contorno?
As longas filas de máquinas e veículos são uma cena comum para quem passa diariamente pela Rodovia do Contorno. Nos portos secos, os carros aguardam a liberação da Alfândega, antes de seguir para o mercado consumir. Mas, no último ano, o setor vive uma redução de cerca de 60% no volume de cargas. A cena do pátio vazio, que antes era impensada, hoje se tornou comum. Ela é resultado da perda de competitividade e dos gargalos na infraestrutura nos portos do Espírito Santo.
“Com certeza, a eficiência logística, todo o conhecimento dos nossos funcionários, eram perfeitos. Nós sempre fomos muito eficientes. Continuamos assim e os outros portos não são tão eficientes. A diferença é que isso tem custo. E nós sabemos que, na hora de vender o produto final, R$ 0,50 fazem a diferença”, explicou a diretora presidente da Silotec, Renata Campos.
O fim do Fundap e os altos custos no transporte completam os fatores que reduziram a competitividade do Estado. Uma situação que a Codesa afirma que será revertida em breve. A expectativa é de que, até o fim do ano, a demanda por retroáreas e pelos portos secos deve aumentar significativamente. Reflexo das melhorias no cais comercial de Vitória e do aumento do calado do terminal.
Mas a integração do cais comercial com os portos secos depende de um bom acesso rodoviário em Vitória e em Vila Velha. “O elo principal para que os dois segmentos possam funcionar bem é justamente o acesso. Você precisa ter um acesso, de preferência mais exclusivo, para que todos esses caminhões possam trafegar. Isso vai facilitar e dar uma eficiência maior, tanto na atividade do porto seco, como na atividade do Porto de Vitória”, argumentou o diretor de infraestrutura e logística da Codesa, Hugo Amboss Merçon.
Espremido entre o mar e a cidade, o Porto de Vitória sofre com restrições de horário para o acesso de caminhões. Entre 7h e 9 horas e das 17h às 19 horas, quando o fluxo de veículos é maior, os caminhões não podem entrar e nem sair do porto. Quando a obra de ampliação do cais terminar e a capacidade do terminal aumentar, a situação vai ficar ainda mais grave. Para isso, Codesa, Governo do Estado e prefeitura planejam a desapropriação de áreas e a construção de um novo acesso ao porto na região da Ilha do Príncipe. “O projeto do BRT prevê utilização de parte do porto. Provavelmente nós vamos ceder à cidade uma faixa de 6 metros. Estamos em negociação e os armazéns 1, 2 e 3 podem ser utilizados como estações de embarque de passageiros. Já os armazéns 4 e 5 devem ser desmanchados para aumentar a plataforma, para descarregarmos mais navios”, frisou o superintendente do Porto de Vitória, Eduardo Prata.
“Já estamos realizando obras e temos projetos sendo concluídos. Estamos buscando isso o ano todo”, destacou ainda o secretário Estadual de Transportes e Obras Pública, Fábio Damasceno.
“A Prefeitura de Vitória apóia esse plano metropolitano de mobilidade urbana de forma entusiasmada. Vamos fazer todas as intervenções que forem necessárias para receber bem o transporte aquaviário”, frisou o prefeito de Vitória, Luciano Rezende.
“É um novo porto, com novas condições, novas características e com novo potencial”, completou o superintendente do porto.