10/10/2024
“Eu nunca, jamais poderia imaginar a loucura que seriam os meus anos no Fenerbahçe. Impossível descrever, mas vou tentar.
O futebol na Turquia é único, não existe nada igual. Todo mundo é apaixonadíssimo por seu clube. Sim, isso é mais forte do que no Brasil. Com uma diferença fundamental…
Todo mundo vaia o time adversário, o jogador rival. Mas parece haver um limite. Não cruzam a linha. Eu sempre fui bem tratado por torcedores do Galatasaray, Beşiktaş, Trabzonspor, Bursaspor. Encontrava com os caras no aeroporto, na rua, e eles vinham falar comigo na boa. Por isso eu tenho um carinho imenso pelo povo turco. Foi uma experiência inesquecível.
Lembro que no dia em que eu deixei o clube os torcedores cercaram a minha casa, fizeram uma vigília. Pularam o muro, invadiram o jardim, pessoas contando que tinham viajado quilômetros só pra pegar a minha mão e dizer obrigado.
E rivalidade não falta por lá. Fenerbahçe x Galatasaray é guerra. Você pode até ganhar o campeonato nacional, mas, se perder o clássico, a sua conquista não é absoluta. E se nenhum dos dois for campeão o que importa é quem terminou a temporada melhor posicionado na tabela. Eu vivi tudo isso com bastante intensidade.
São tantas lembranças boas… Uma vez fui almoçar na casa do maior jogador da história do Fenerbahçe, o Lefter. Ele, um senhor de 80 anos, vira pros caras e diz: “Se eu tenho uma estátua no clube, o Alex tem que ter também”. Fizeram a estátua.
Voltei a sonhar. Voltei a ser o canela-seca que driblava sapo e metia sete bolas na boca do palhaço na quermesse. Eu percebi que, mais do que os acontecimentos, as conquistas, a glória, o dinheiro, o que f**a para sempre são as sensações. E se é o que f**a, a gente tem que cuidar delas com carinho. Guardar na memória.
É por isso que hoje, como treinador e educador, eu adoro f**ar lembrando dos momentos de felicidade da minha carreira, como os anos em que joguei no Fenerbahçe e morei em Istambul: pra não esquecer que o futebol sempre será mais sonho do que pesadelo.
A gente só precisa ajudar os molequinhos de short e sem camisa a manter a chama acesa.” – Alex.
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